O mundo é do futebol
O mundo é do futebol
Sem qualquer intimidação com a maior crise econômica da geração atual, o futebol vive recordes de transferências milionárias e chega a um dos maiores momentos de sua história.
O início da Copa das Confederações (competição que antecede a Copa do Mundo) marca a chegada do valioso mundo do futebol à África do Sul, que já foi banida da Copa e das Olimpíadas, em razão do Apartheid, política de segregação racial que durou até 1990.
E a chegada do evento mais visto da Terra ao continente africano inicia uma nova fase. Pro país e pro futebol.
Com enormes diferenças financeiras e culturais, a Copa da África já mostra seus méritos. Sem os modernos estádios, sobrará alegria e autenticidade de um povo que sabe do que o esporte é capaz num país que já foi divido entre brancos e negros, inclusive para jogar futebol.
E além do apoio incondicional à seleção canarinho, a torcida sul-africana vem sendo destaque na mídia brasileira e internacional. Pelo espetáculo (e barulho) e por ter muito a nos ensinar pra 2014, quando é a vez do Brasil encarar o desafio.
As duas copas consecutivas no hemisfério sul (a última foi na Argentina em 1978) confirmam a estratégia de usar o esporte como instrumento de paz, união e mudança, tornando o evento cada vez mais cobiçado por qualquer país no mundo.
E apesar de todo carnaval político em cima da Copa, o evento no Brasil é sim uma imensa oportunidade pra um país que ainda tropeça em grandes problemas sociais e de estrutura, tão similares aos vistos pelos sul-africanos.
E se a FIFA quer realmente fazer valer o nome “Copa do Mundo”, está no caminho certo. A Austrália lançou na semana passada sua candidatura para as Copas de 2018 e 2022, que numa decisão inédita serão anunciadas conjuntamente no final do próximo ano. E dois novos continentes serão escolhidos, completando (no mínimo) uma seqüência de 4 edições consecutivas em 4 continentes diferentes.
E o assunto vem sendo levado muito a sério por aqui. O primeiro-ministro anunciou, em rede nacional, um projeto consistente e ousado que inclui total comprometimento dos governos federal e estaduais. Inspirado pela seleção local, que já garantiu lugar na próxima Copa com uma campanha expressiva (100% de aproveitamento, 1 gol sofrido), o país tem a seu favor a intocável reputação dos Jogos Olímpicos de Sydney (2000), e o fato de ter passado a integrar o continente asiático pra disputa das eliminatórias.
Caminhando pra ser a candidata da chamada Australásia, região responsável por bilhões nos números de audiência e local de maior crescimento atual do esporte, o país concorre com outros 10 candidatos: Inglaterra, Rússia, EUA, Indonésia, Japão, México, Qatar, Coréia do Sul, Espanha/Portugal e Holanda/Bélgica.
Vale citar também que mesmo sem nada ainda expressivo por aqui, a sede escolhida para o último congresso mundial da FIFA foi Sydney, e a cúpula da entidade revelou publicamente a satisfação do que viu por aqui.
A concorrência e a pressão européia são grandes, porém é questão de tempo pro Brasil assistir novamente a uma Copa de madrugada.
Por exigência da FIFA, durante seus torneios oficiais (Copa do Mundo e Confederações), parte dos treinos deve ser ter acesso liberado e gratuito pra comunidade local. A recepção da torcida sul-africana vem sendo destaque no mundo todo.
Primeiro treino do Brasil na África do Sul, em um bairro da periferia de Bloemfontein, com ruas de terra e pouca estrutura, era o local reservado aos negros durante o Apartheid, proibidos de circular livremente pela zona nobre da cidade.



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